📚 Mais Histórias
Historiasia

Os 3 porquinhos

Histórias para Dormir
Numa clareira ensolarada, onde o ar cheirava a pinho e terra molhada, viviam três irmãos porquinhos. Heitor, o mais apressado, Prático, que gostava de atalhos, e Cícero, o mais paciente. Chegara o dia de cada um construir o seu próprio cantinho, um lugar quentinho para sonhar. Os seus focinhos rosados farejavam o ar, cheios de planos e ideias. Heitor encontrou um monte de palha dourada e macia, que cheirava a sol de verão. Com um rápido "cri-cri-crac", a sua casinha ficou pronta num piscar de olhos. "Já acabei!", disse ele, orgulhoso. "Agora posso tirar uma boa soneca na relva fofinha." E assim fez, sem mais demoras. Prático preferiu usar galhos secos e nodosos que encontrou pelo chão da floresta. As suas patinhas trabalharam depressa, e os gravetos faziam um som de "clac-clac" enquanto se encaixavam. A casa ficou um pouco torta, mas ele não se importou. "Está forte o suficiente!", exclamou, e correu para procurar amoras doces e suculentas. Cícero, por sua vez, carregou tijolos vermelhos e pesados, um de cada vez. Eram ásperos ao toque e faziam um som de "ploc, ploc" ao serem assentados com cuidado. Os seus irmãos olhavam-no a trabalhar devagar. "Por que demoras tanto, Cícero?", perguntou Heitor. Cícero apenas sorriu e respondeu: "Quero que a minha casa seja forte como uma rocha." De repente, um sopro frio atravessou a floresta. Das sombras, surgiu um lobo de pelo escuro como a noite e olhos amarelos e brilhantes. Ele parou em frente à casa de palha e disse com uma voz rouca: "Porquinho, porquinho, deixe-me entrar!" Heitor tremeu lá dentro e guinchou: "Não, não, pela minha barbicha, não!" O lobo encheu o peito de ar e soprou. A casinha de palha voou como folhas secas ao vento. Heitor correu o mais rápido que pôde para a casa de Prático. Logo depois, o lobo bateu à porta de gravetos. "Porquinhos, porquinhos, deixem-me entrar!" "Nunca!", gritaram os dois irmãos. O lobo deu um sopro ainda mais forte, e a casa de gravetos desmoronou com um grande CRAC! Os dois porquinhos correram para a casa de Cícero, com o coração a bater como um tambor. O lobo, muito zangado, chegou à casa de tijolos e gritou: "Agora vocês vão ver!" Ele soprou com toda a sua força, e o seu focinho ficou todo vermelho. Soprou outra vez, mas a casa nem se mexeu. Lá dentro, Cícero pôs uma pata tranquila no ombro dos irmãos, que espreitavam pela janela, agora mais calmos. Cansado e sem fôlego, o lobo desistiu. Olhou uma última vez para a casa forte e sólida, e desapareceu na escuridão da floresta. Dentro da casinha, o cheirinho de sopa de legumes começava a encher o ar. Heitor e Prático olharam para o irmão e para as paredes seguras à sua volta. Entenderam que fazer as coisas com tempo e carinho era o que mantinha todos seguros e quentinhos, juntos.
Avaliação média: 4,6
(1047 avaliações)
(Nome não será mostrado)
← Voltar