O Jardim que Só Aparece Quando Fechamos os Olhos
Havia uma menina chamada Clara que tinha uma habilidade muito especial: ela conseguia ouvir o silêncio.
Não era o silêncio comum. Era aquele silêncio profundo da noite, quando tudo começa a ficar mais lento… mais calmo… mais leve.
Toda noite, depois que escovava os dentes e vestia seu pijama macio, Clara deitava na cama e prestava atenção na própria respiração. Inspirava devagar… e soltava o ar bem devagar.
Numa dessas noites, quando o mundo parecia especialmente tranquilo, algo diferente aconteceu.
O teto do quarto começou a se transformar em um céu azul-escuro cheio de estrelas suaves. Não brilhavam forte. Brilhavam calmas. Como se piscassem devagar, acompanhando sua respiração.
Clara não se assustou.
Ela sentiu que aquilo era um convite.
De repente, sua cama começou a flutuar lentamente — bem devagar — como uma folha sobre um lago tranquilo. Ela atravessou o céu estrelado e pousou em um jardim iluminado pela lua.
O jardim não tinha barulhos altos. Só o som de folhas balançando e um riacho distante correndo manso.
Havia flores que se fechavam lentamente para dormir.
Havia passarinhos já acomodados nos galhos.
Até as borboletas descansavam com as asas dobradas.
Uma árvore grande e antiga falou com voz suave:
— Aqui é o Jardim do Descanso. Tudo que entra aqui aprende a desacelerar.
Clara sentiu seu corpo ficar mais pesado, mas de um jeito confortável. Como se estivesse sendo abraçada por um cobertor invisível.
Ela se deitou na grama macia.
O céu ficou ainda mais escuro.
As estrelas diminuíram o brilho.
O vento virou apenas um sopro leve.
E a árvore sussurrou:
— Agora é hora de você descansar também.
Clara fechou os olhos dentro do jardim.
E quando abriu de novo… estava em sua própria cama.
O quarto quieto.
A noite serena.
A respiração tranquila.
E o sono chegando… bem devagar… 🌙