Historiasia
3 ratos cegos
Histórias para Dormir
Num buraquinho na parede viviam três irmãos.
Eram os ratinhos Riko, Reko e Rato.
Eles não enxergavam muito bem.
O mundo parecia um borrão de cores.
Certa manhã, um cheiro delicioso chegou.
Cheirinho de queijo, pão e alegria.
"Que fome!", disse Reko, o mais sapeca.
"Eu quero encontrar esse cheiro gostoso".
"Mas a casa é tão grande", disse Riko.
Ele era o mais cuidadoso dos três.
Suas perninhas tremeram um pouquinho.
A cozinha parecia um lugar gigante.
Rato, o mais esperto, mexeu os bigodes.
"Vamos usar nossos outros sentidos", ele falou.
"Nossos narizes, nossas orelhas e bigodes!".
Eles saíram devagarinho do buraco.
O chão de madeira era liso e frio.
O cheirinho de queijo ficou mais forte.
Eles seguiram o cheiro com seus focinhos.
Um pezinho na frente do outro.
De repente, um som alto! VUUUSH!
Uma sombra enorme passou por eles.
Era a vassoura da fazendeira.
Eles correram para debaixo de um móvel.
O coração de Riko batia forte. Tum-tum-tum.
Reko quase foi varrido junto com a poeira.
Ele se encolheu, com os olhinhos apertados.
"Foi por pouco!", ele sussurrou.
"Por favor, vamos voltar", pediu Riko.
"Ainda não", disse Rato com calma.
"Vamos ouvir com atenção agora".
Eles ficaram em silêncio, escutando.
Ouviram um barulhinho de faca. Toc, toc, toc.
E uma voz suave cantarolando uma canção.
"Ela parece feliz", observou Reko.
O medo começou a diminuir um pouco.
Eles usaram os bigodes para sentir a parede.
A parede era áspera e guiava o caminho.
O cheiro de queijo estava muito perto!
Estava em cima da mesa grande e amarela.
Eles viram um fio de pano pendurado.
Era a ponta da toalha de mesa.
"Eu subo primeiro!", disse Reko.
"Por favor, espere", pediu Rato.
"Precisamos subir juntos, para ajudar um ao outro".
Riko segurou na ponta da toalha.
Reko subiu um pouquinho.
Depois, Rato ajudou Riko a subir.
Lá em cima, o queijo era enorme!
Um lindo queijo amarelo e furadinho.
Mas a fazendeira os viu.
Os três ratinhos ficaram paralisados.
Ela não gritou. Ela não pegou a vassoura.
Ela olhou para eles com olhos gentis.
Viu como eles apertavam os olhinhos para enxergar.
Seu rosto se encheu de um sorriso morno.
Com muito cuidado, ela pegou um pedacinho.
Um pedacinho pequeno de queijo.
E colocou no chão, perto da mesa.
"Para vocês, pequeninos", ela disse baixinho.
Os ratinhos desceram devagar.
Eles cheiraram o presente. Era o queijo!
Eles deram uma mordidinha. Que delícia!
Era macio, salgadinho e perfeito.
Eles olharam para a fazendeira lá no alto.
E guincharam um "obrigado" de ratinho.
Levaram o tesouro para seu buraquinho.
Estavam seguros, quentinhos e de barriga cheia.
Naquela noite, eles dormiram juntinhos.
Aprenderam que, usando todos os seus sentidos, podiam ir a qualquer lugar.
E que às vezes, o que parece um gigante assustador, pode ter o coração mais gentil de todos.
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